ARQUIVO SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

Nos Bailes da Vida

Minha música ao Bom Jesus dos Castores

Postado por: Toninho Cury em 05/08/2015


Quando pequeno, minha avó Ana, libanesa de Miziara, dizia: “meu neto, que o Bom Jesus dos Castores lhe proteja”.

Meus avós quando vieram do Líbano, foram morar em Palestina, SP. Lá, fundaram o bairro “Jardim”. Fizeram amizades e suas primeiras rezas, foram com seus vizinhos, ao pé do Bom Jesus dos Castores, o lugar de fé fervorosa mais próximo.

No início dos anos 80, ao fotografar o andor do Bom Jesus, conheci o Sr. Domingues. Um homem alto, careca de uns 80 ou mais anos. Ao conversar com ele, fiquei sabendo que morava em Palestina, próximo a um vilarejo chamado “Jardim”. Me emocionei e contei minha história. O homem tirou o chapéu e me deu um beijo e seus olhos lacrimejaram.
Virou e disse, “fui muito amigo de seu avô Jorge. Quantos anos oramos juntos ao pé deste cruzeiro...”. "Só" isto para mim, foi um milagre dos “Castores”, apertar a mão de quem com uma vela acesa, um dia pediu, de corpo e alma, junto com meu avô, ao pé do mesmo cruzeiro, graças ao Bom Jesus.

Não deu outra. Fiz uma música lá mesmo e guardei-a a sete chaves durante um bom tempo.

Os anos se passaram e em 1992 consegui colocar uma melodia. Chamei meus ex-companheiros do “Grupo Apocalipse”, Luiz Camim e Álvaro Cecato e gravamos uma fita “demo”.

Em 1996, entreguei tudo ao cantor e compositor mineiro Rick Saulo, de talento inigualável para ouvir.
Gostou da letra mas não gostou da melodia, que era uma “balada” (musica lenta).
Modificou e chamou o grande violeiro rio-pretense Enúbio Queiroz para participar de uma nova da gravação. Gostei !

O cineasta, produtor e historiador Fernando Marques ao ouvi-la, pediu para que fosse incluída em seu CD “Anonimato Brasil”. Foi gravada e está abaixo postado para você ouvi-la:

http://www.toninhocury.com.br/ensaios/audiovisuais?id=9

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A foto em branco e preto continua linda!

Postado por: Toninho Cury em 22/07/2015

ASSIM DIZIA O “VELHO GUERREIRO”

“Alô, alô, Terezinha! 

A foto em branco e preto continua linda!”.

Assim dizia o “velho guerreiro” ou “Chacrinha”, ao me ver na “Lanchonete Sorriso”, no Bairro Higienópolis, em São Paulo.

O “velho guerreiro”, por acaso, nos anos 80, tomando um lanche na “Sorriso”, viu uma foto minha parecida com esta postada, dos trilhos da “Swift”, de Rio Preto, SP . Gostou tanto da imagem, que virou para mim e disse meio cantado, que “a foto em branco e preto continua linda!”. Aí, nos conhecemos e a conversa girou sobre a força da fotografia em branco e preto. Foi lá também, que conheci o cantor Antonio Marcos e outros artistas que iam tomar o café da manhã ou almoçar um bom prato de arroz, feijão, fritas e bife.

Na lanchonete não havia luxo. As mesas ficavam na calçada e as cadeiras dividiam espaço com um banco de tábua fixo, de um ponto de táxi.

O “Chacrinha” era um homem simples e politizado. Conversava com todo mundo. Pouco falava de televisão e de seu trabalho. Dizia: "aqui sou Abelardo".

A lanchonete se localizava em frente ao “Hotel Eldorado Higienópolis”, que tinha parceria com a “Rede Globo de Televisão”, motivo pelo qual, os artistas estavam sempre por lá.

O “velho guerreiro” tinha uma memória fantástica. Sempre que me via, perguntava como estavam as fotos em branco e preto. Na época, eu cursava laboratório na “Escola Imagem e Ação” . Ficava em São Paulo de sexta à domingo. Isto perdurou por quase um ano.

Também na “Lanchonete Sorriso”, estive muitas vezes com meu amigo e “irmão” de banda, Alceu Cecato, um dos maiores músicos que tive o privilégio em dividir o palco durante anos, nos “bailes da vida”, com as bandas “The Cats” e “Apocalipse”. Ele no contrabaixo, eu na bateria. Alceu morava ao lado da lanchonete e
sempre que ia à São Paulo, fazia-lhe uma visita.

O “Chacrinha” e o Antonio Marcos já faleceram. O Alceu Cecato está na ativa com seu cavaquinho e outros instrumentos que domina com maestria.

Bons tempos, boas lembranças !

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Lembranças do 'FETAR' e do 'Ballet Stagium'

Postado por: Toninho Cury em 12/06/2015

Participei ativamente, desde 1968, ora como músico, ora com fotógrafo do “FETAR”, “Festival de Teatro Amador de Rio Preto”, que teve início no “Salão Paroquial da Basílica Menor” de Rio Preto, SP.


Como músico, abri com minha banda de “garagem”, os festivais de 68 e 69. Já com o “Grupo Apocalipse”, fizemos bailes de inícios e términos de muitos festivais em clubes locais.


Os tempos eram outros. O festival era amador de verdade. Atores profissionais não participavam. Era uma verdadeira fábrica de talentos. Foi nesses festivais, que conheci Elba Ramalho como bailarina  na peça “O Morro do Ouro”, onde figurava como “garota de Aldeota”.


Conheci e até toquei uma música na bateria, com “Ednardo” na abertura de uma peça, que depois veio a ser com sua banda, “Ednardo e o Pessoal do Ceará”, ficando conhecido como autor e intérprete da música “Pavão Misterioso”.


Em 1976, parei com a música e assumi a fotografia como minha principal inspiração artística. O “FETAR” já não mais existia, havia profissionalizado. Transformou-se em um dos eventos teatrais mais importantes do país. De um lado foi bom, pois a cidade passou a receber renomados grupos teatrais, de outro, não, pois os atores amadores perderam seus espaços, suas vitrines.


A foto postada, fiz durante uma apresentação de abertura de um festival no início dos anos 80, no “Teatro Municipal Dr. Humberto Sinibaldi Neto”. Como é um slide, não sei precisar o ano, mas me lembro do nome da peça, “Descobrimento do Brasil”.


A imagem retrata um ato da peça denominado como “A Primeira Missa”.


Em primeiro plano, do lado esquerdo, está a fantástica dançarina, hoje diretora do “Stagium”, Márika Gidali.


A partir dos anos 90, tenho fotografado de forma esporádica, pois ficou muito difícil ser credenciado, mesmo tendo todas exigências legais para tal.


O antigo “FETAR” mudou e com ele, eu também mudei. Hoje, foco mais o trabalho da fé, da cultura cabocla e das tradições do nosso país. Coisas mais relacionadas com o povo simples e suas raízes.


Mas tudo o que foi vivenciado não foi em vão, belas e esmaecidas lembranças, como este slide, retocado e recuperado através do “photoshop”, de Márika em toda sua forma divina de interpretação, está aí, postado e "vivo", tantos anos depois para vocês curtirem.

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TV Rio Preto - Canal 8

Postado por: Toninho Cury em 23/04/2015

 

A foto postada tem 41 anos. Velha? Não. É uma foto histórica. É de minha banda, o “Grupo Apocalipse”.

Durante três anos, fomos a banda de palco do programa “Amaury Jr na TV”.  

Na época, a banda tocava de tudo. Tínhamos vários contatos no eixo Rio-São Paulo que nos enviavam fitas de sucessos, que levariam meses para chegar em Rio Preto através de vinil. A gente ensaiava e tocava as músicas nos “bailes da vida” pelo Brasil afora. Antes, porém, tocávamos em primeira mão, no programa do Amaury, que tinha como produtora, a hoje apresentadora da “Globo”, Ana Maria Braga.

A “TV RIO PRETO – CANAL 8”, hoje é a “Rede Record de Televisão” de São José do Rio Preto, SP.

Tivemos o privilégio em tocar na inauguração da tv em 1971. Tocamos parte da “Ópera Tommy” da banda “The Who” e “Soul Sacrifice” do “Santana”.

Na foto postada feita pelo Guilherme Silva, nosso empresário, hoje residente no Espírito Santo, estão da esquerda para a direita, Alceu Cecato (contrabaixo), Álvaro Cecato (guitarra base), eu, Toninho Cury (bateria), Marquinhos (guitarra solo), José Carlos (trompete) e Luiz Camin (teclados).

Por incrível que pareça, me lembro da música tocada quando o Guilherme fotografou. Era “Fio Maravilha” de Jorge Ben. O Guilherme se aproximou do palco para ligar a câmara de eco e o gravador na mesa de som e fez várias fotos com uma "Asahi Pentax-SP500". Tenho a gravação do som até hoje. Pena que os vídeos da “TV RIO PRETO” sumiram quando foi vendida.

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O show de Ney Matogrosso em 1977

Postado por: Toninho Cury em 10/04/2015

Em Agosto de 1977, o cantor e compositor Ney Matogrosso esteve em Rio Preto, SP, apresentando um show no “Rio Preto Automóvel Clube”.


Convidado pela diretoria para fotografar o espetáculo, fui autorizado a fazer o “making off” do cantor.


Meio receoso cheguei até a porta do camarim esperando um Ney “metido e estrela”. Nada disto. Ao me avistar, ele disse: “Entre e faça as fotos que quiser. Somos artistas” e em seguida soltou um sorriso. Quando disse que era músico e havia tocado muito “Secos & Molhados” nos “bailes da vida”, aí o papo foi longe.


Fiz várias fotos e com uma delas, a de quando Ney interpretava a música “Gaivota”, ganhou um prêmio em uma bienal de fotografia no “Foto Cine Clube Bandeirante” de São Paulo.


Depois dessa apresentação, não só aumentou minha admiração sobre o talento de Ney Matogrosso como artista, mas também, como pessoa e ser humano. Um "cara" simples, comunicativo e sem frescura.


Escolhi esta foto para postar, pois nunca foi publicada.

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Coisas da Revolução de 31 de Março

Postado por: Toninho Cury em 31/03/2015

Em 31 de Março de 1964, houve o “golpe militar” que depôs o presidente do Brasil, João Goulart.


Hoje, relembro um acontecimento, entre muitos que testemunhei durante os “anos de chumbo”, em que o país esteve dirigido pelos militares.


Era Julho de 1976 e os estudantes da antiga “FAFI”, hoje “IBILCE” de Rio Preto, SP, realizaram um show no “Teatro Municipal de Rio Preto”, com o “Grupo Chask”, do Peru.


Como conhecia muitos estudantes, pois sempre expunha trabalhos na faculdade, como também tocava bateria por lá, fui convidado para fotografar o evento.


Era comum, horas antes de qualquer show promovido por estudantes, um sensor (pessoa da censura), checar os repertórios e “aconselhar” sobre o que seria bom ou não tocar naquele momento.


De câmera em punho, nos camarins, observei o sensor cortar uma música do repertório do grupo.


Dias depois, quando já havia revelado e ampliado as fotos, tomei conhecimento que se tratava de uma música da argentina Mercedes Sosa. Só não informaram qual era a música.


O show foi um sucesso e deu uma boa grana para a formatura da moçada.


A foto postada tem 39 anos. Fiz com uma câmera “Nikon F2 AS” com um filme “Kodak – Tri-X pan 400”.

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O local onde Gilberto Gil se hospedou nos anos 70

Postado por: Toninho Cury em 03/11/2014

Em meados dos anos 1970, havia em Rio Preto, um estudante de medicina chamado Manoel. Seu apelido, “Mané-conha”.

Rapaz inteligente, exímio violonista e cantor, era conhecido, não só no meio universitário, mas também, nos “botecos”, salas de ensaios de bandas e churrascadas por toda região.

Certo dia, às vésperas de um show do cantor Gilberto Gil na cidade, me deparei com o Mané que disse: “você curte o Gil? Se curte, dê um pulinho em casa que, desde ontem, ele está hospedado” . Aí eu respondi meio cético, ok!, mas onde você mora? Em seguida a resposta, “lá na caixa d'água dos armazéns do “J Alves Veríssimo”.

Acreditem! Dei uma checada com o empresário do Gil e era verdade. Fui e levei o compacto simples da música “Expresso 2222”, em busca de um autógrafo pois, nosso “Grupo Apocalipse” tocava aquela música que fazia o maior sucesso nas apresentações.

Não só ganhei um autógrafo, como também o Gil deu uma “canja do 2222" acompanhado pelo Mané ao violão. Um show!

A foto postada, fiz neste Novembro de 2014. É da caixa d'água, que ainda está firme e forte. O quartinho onde morava o Mané e o Gil ficou três dias hospedado, marquei com uma seta.

O local, fica antes do “Clube do Lago”, no alto, do lado direito, depois dos trilhos do trem.

Infelizmente, o Mané faleceu em um acidente de moto na cidade de Campinas, no final dos anos 70.

 

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O dia em que Nelson Ned expulsou César Muanis do palco

Postado por: Toninho Cury em 29/05/2014

Aconteceu em uma Segunda feira, 22 de Outubro de 1973. Rio Preto vivenciava mais uma “Exposição de Animais”. O “Grupo Apocalipse” foi contratado para musicar a festa. O “Sindicato Rural” era responsável por toda organização do evento, tendo como presidente, o dinâmico produtor rural e ex-delegado de polícia, Dr. Eduardo Ferreira Fontes.

A intenção do Dr. Fontes, era contratar uma banda eclética que tocasse desde rock and roll, tango, bolero, até mpb, com potencial para acompanhar artistas de gêneros distintos. Talento para isso, o “Apocalipse” tinha de sobra. Embora formado por jovens na faixa etária entre 19 e 21 anos, havia em seu quadro, o maestro e tecladista, Luís Camin, de 35 anos, com bagagem de noitadas musicais, acompanhando artistas em boates em São Paulo, além de Alceu Cecato e Marcos Angelote, músicos de talentos indiscutíveis.

Nesse dia, a atração principal foi o cantor Nelson Ned, eleito pela mídia, “rei da voz”. A apresentação e animação dos shows estava a cargo do radialista e jornalista rio-pretense, César Muanis, eleito várias vezes, “rei do rádio”. Esses títulos eram comuns na época.

Assim, com uma banda jovem conhecida por toda região, artistas da tv, e um bom animador, o sucesso de público nos shows estava garantido.

Palco pronto, casa cheia, músicas escolhidas e ensaiadas com o Osnir, guitarrista e maestro exclusivo de Nelson Ned. Enfim, tudo ok para mais uma apresentação redonda.

Na hora “h”, o apresentador César Muanis anunciou: “com orgulho apresento à vocês, o pequenino no tamanho, mas gigante na voz, o grande reiiiii da voz, Nelsonnn Ned”.

Osnir deu o acorde em sua guitarra “Fender". Eu, o ritmo e a banda entrou com tudo no prefixo ensaiado para que o artista adentrasse ao palco. Passamos os compassos por várias vezes e nada de Nelson Ned.

Na bateria, às minhas costas, notei os gritos do cantor e não entendia nada. Ao aproximar, na parte baixa do palco, Nelson direcionou à mim aos berros e gestos dizendo: “Ou ele ou eu. Tire esse cara do palco”. Ai retruquei: “quem?”, em seguida veio a resposta: “esse... metido a apresentador. Pare a banda, pare! Comece tudo de novo. Sem essa de pequenino. Pequenino é a...”.

De imediato, ao meio da música, expliquei a situação ao Osnir que, educadamente, pediu ao César sua retirada momentânea do palco. Assim foi feito. O  Alceu Cecato anunciou novamente Nelson Ned. O artista subiu ao palco sem que a banda parasse e fez seu show que agradou a todos presentes.

Posteriormente, César Muanis retornou, como se nada tivesse acontecido. Atravessamos a madrugada com o César Muanis animando a festa e o sucesso foi total.

Tanto César, quanto Nelson Ned, já faleceram. Foram figuras que fizeram história no rádio e na música.

Presto neste espaço, as homenagens à esses gigantes da comunicação brasileira.

 

A foto ilustrativa do César Muanis, fiz no dia 19/03/2002, no “Carrefour  durante o corte do bolo, no aniversário de Rio Preto.

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Uma homenagem ao grande músico Renato Perez.

Postado por: Toninho Cury em 22/10/2013

Tive o privilégio de conhecer e tocar com o grande músico Renato Perez. Toquei com Renato, nas tradicionais “canjas”, coisa comum do grande músico. Quantos bailes, confraternizações que nós, do Apocalipse, tocamos e em um passe de mágica, apareceu o “Renatão”, como carinhosamente era chamado pelos músicos, com seu sax mágico tocando uma ou duas músicas com a banda.


Tive também, o privilégio, em fotografar Renato Perez, quando do último “Festival Paulo Moura”, no Centro Regional de Eventos de Rio Preto. Talvez seu último show.


O disco acima, desconhecia até dias atrás. Foi durante uma visita ao estúdio de nosso historiador, músico e produtor Fernando Marques, que o descobri. Ao chegar lá, Fernando me mostrou essa raridade. Um compacto patrocinado pelo Jokey Club de Rio Preto, que tinha na época, pelos anos 1964, como presidente, o Sr. Abelardo Menezes e diretor social, meu tio, Dr. Gabriel Cesário Cury.


Pesquisei na internet e adquiri a raridade que compartilho com vocês.


Achei interessante inserir esse material neste espaço, pois faz parte de “meu baile da vida”.


Talvez, tudo começou para mim, dentro do Jockey Club de Rio Preto, que ficava no 1º andar da Galeria Bassitt. Digo isto, pois com meus 7, 8 anos de idade, foi quando tive o primeiro contato com uma bateria. Freqüentava o clube, pois meu pai e meu tio me levavam para ouvir discos na discoteca do clube. Ficava brincando na bateria do músico Nestor, fazendo barulho e tendo como sonho, um dia ter um instrumento igual.


Nos anos 60, vasculhando os arquivos de meu tio Gabriel Cesário Cury, descobri alguns músicos da época. Vamos recordar:

Bateristas: Aramis, Ney Lima e Bongô;

Guitarristas: Luizinho (Major) e Mario Longui;

Pianistas: Dias, Luiz Camin e Luiz Carlos Ribeiro;

Sopro: Renato e Mário Perez;

Cantoras: Heleninha Leporace e Suzana Novaes.


Um fato interessante, que vi nos documentos de meu tio Gabriel, foi um contrato com Jorge Ben. Dizia meu tio, que foi na época em que Jorge Ben lançou a música “Chove Chuva”. Segundo meu tio, a sensação era e Jorge Ben começava com o refrão “Chove chuva, chove sem parar...” desafinado e sem seu violão. Posteriormente, começava a tocar o instrumento prosseguindo a música.


Um outro fato pitoresco nas histórias de meu tio, foi quando no fervor da “Jovem Guarda”, minutos antes do show de Erasmo Carlos, foi ao camarim um oficial de justiça, com um mandado de prisão contra o cantor, vindo do Rio de Janeiro. Segundo Gabriel, foi um “Deus nos acuda”. De imediato, meu tio, que era um grande advogado, impetrou um mandado de segurança relaxando a prisão do astro. Dias depois, Erasmo ligou ao Dr. Gabriel agradecendo, como também enviou uma documentação provando sua inocência.


Ainda criança conheci grandes homens que construíram Rio Preto e que foram peças fundamentais no desenvolvimento da cultura local que freqüentava o Jockey Club. Foram eles: Mauricio Goulart, Júlio Cosi, Abelardo Menezes, Dr. Fogaça, Dr. Cabbaz, Jorge Assad Caran, Dr. Nadir Kennan, Anísio Haddad, Halim Bassitt, Wilson Romano Calil, Faiçal Calil entre muitos outros.

Outro fato relevante é que, em meados dos anos 70, alguns remanescentes do antigo Jockey Club, sob a batuta de Abelardo Menezes, fundaram no mesmo local, Galeria João Bassitt, um clube nos mesmos moldes do antigo Jockey. Hoje esse clube se chama Harmonia Tênis Clube.

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O grupo Apocalipse no 50º Aniversário do Frigorífico Anglo de Barretos.

Postado por: Toninho Cury em 27/03/2013


Barretos, 26 de Janeiro de 1974. Data em que milhares de pessoas foram até os embarcadouros do Frigorífico Anglo de Barretos comemorar seu cinqüentenário.


As atrações principais: Grupo Apocalipse, Boqueira e o cantor Bebeto.


Nos anos 70, na TV Tupi, Canal 4,  havia um programa de um grande apresentador chamado Flávio Cavalcanti. Entre os quadros do programa, havia um muito concorrido que se chamava “MIT” Mercado Internacional de Talento. Nesse quadro, existia desde shows de magia até cantores que tentavam se projetar no mercado fonográfico. Foi nesse último, que surgiu o cantor Bebeto.


Segundo colocado como a revelação do Brasil, Bebeto ficou atrás apenas de outro “mostro” da interpretação chamado Tobias.


Bebeto, até então desconhecido, tinha um conjunto na cidade de Mirassol. Após a conquista do prêmio, o empresário rio-pretense Carlos Massi, aproveitando a deixa, montou uma banda com várias “feras” de nossa música: Willian Bassitt, Luis Carlos Ribeiro, os irmãos Renato e Mário Perez, Dubair, Sanica, Vartão entre outros, para acompanhar o cantor Bebeto.


Banda muito estilosa, muito além daquele tempo. Seu repertório era de primeira. Não havia no país, tantos talentos quanto aqueles encontrados por Carlos Massi. O sonho durou pouco. O alto custo dos músicos e a pouca valorização dos clubes que não  pagavam muito às “big bandas” do interior, forçou Massi a extinguir o grupo. Apenas, o cantor Bebeto que havia feito um contrato de mais de ano direto com Massi, fez com que o empresário saísse à procura de conjuntos musicais para que o acompanhassem como atração individual. E isso foi feito durante alguns meses através do Grupo Apocalipse.


A foto ilustrativa, foi exatamente antes da apresentação de Bebeto. Naquele dia, Bebeto cantou um pout-pourri de sambas e duas músicas que o consagraram: “Mrs. Jones” e “Tributo a Victor Manga”.


Outra grande apresentação, foi do humorista Boqueira, hoje mais conhecido por mestre Boca.


Fizemos apresentação durante o churrasco oferecido aos empregados, à população e  à diretoria do Frigorífico Anglo de Barretos, das 11h30 às 16h. Após a apresentação, pegamos a estrada até a Usina de Estreito, Minas Gerais, para abrilhantar um baile aos engenheiros. Isto é uma outra história vivenciada com o Apocalipse e o cantor Bebeto, que será contada posteriormente.

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RAY - 12/10/2013
INTERESSANTE A MATERIA. GOSTARIA DE SABER SE O APOCALIPSE GRAVOU ALGUM DISCO OU COMPACTO OU FITA. GOSTARIA DE CONHECER OUTRAS BANDAS LOCAIS... ANOS 60 E 70... VALEU OBRIGADO

19 de Março, dia de São José. Dia de festa no Colégio São José.

Postado por: Toninho Cury em 28/02/2013

Durante 8 anos, estudei no colégio Agostiniano São José. De praxe, na época, toda primeira Sexta-feira do mês, havia missa em Ação de Graças.


Todo ano no dia 19 de Março, dia de São José, havia grande festa com músicas, poesias e teatro.


A foto acima, retrata uma das festas realizadas dia 19 de Março de 1970, uma Quinta-feira, por volta das 9h15 da manhã.


Como estudante do colégio e componente do conjunto “The Cats”, juntei meus amigos e lá fomos fazer um som aos colegas estudantes.


Vasculhando o velho diário musical, fiquei impressionado com as anotações como data, dia da semana e até as músicas que tocamos.


Em relação às músicas tocamos três dos Beatles: “Come Together”, “Oh!  Darling” e “Something” e a música “Dizzi” do cantor e compositor americano Tommy Roe.


Observei também, que o conjunto “The Cats”, naquela época, seguia à risca a sugestão de madre Marta, diretora do Colégio Santo André e dona Olga Malouk, grande educadora rio-pretense e mãe do guitarrista Valdomiro, idealizadoras em montar um conjunto para apresentações beneficentes em colégios, clubes, durante festas do sorvete, pizza e churrascos, coisas comuns nos anos 70. O conjunto prosperou e das pequenas festas, chegou a grandes clubes, grandes bailes, conquistando o troféu Secretaria do Turismo.


Na foto, da esquerda para a direita, Alceu Cecato (contrabaixo), Valdomiro Lopes (guitarra base), Toninho Cury (bateria) e Edson Crepaldi (guitarra solo).
 

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O dia em que o Apocalipse saiu na Bernardino

Postado por: Toninho Cury em 07/02/2013

Quando montamos o grupo Apocalipse, foi ao meio da poeira do Woodstock. "The Who", Jimi Hendrix, Joe Cocker, Santana, "Ten Years After" entre outros, esse era nosso som. Falar em samba, jamais.


Montamos o conjunto e por incrível que se pareça, “esquecemos” de montar um repertório de samba. No primeiro baile, veio a cobrança do público e no improviso, fizemos uns quarenta minutos de samba.


Não esperamos Segunda-feira e já no Domingo, pós baile, começamos um ensaio para montarmos um repertório de samba.


Escolhemos samba na linha de MPB4, Demônios da Garoa, Vinícius e Toquinho e Chico Buarque de Holanda. Sambas “maneiros” mas com letras e harmonias mais elaboradas de nossa MPB.


Assim foi a trilha da primeira fase em que participei do grupo Apocalipse que durou cinco anos.


Avessa a Carnavais e samba pesado, em Fevereiro a banda descansava.


Certa vez, em um baile no Sindicato dos Comerciários de Rio Preto, cuja sede ficava no primeiro andar onde hoje é o Praça Shopping, a diretoria ficou impressionada ao ver a performance do Apocalipse durante a música “Tributo a Victor Manga”, da banda  “Antonio Adolfo e a Brazuca”, que homenageava o recém falecido baterista Victor Manga, que tocou no projeto “Pilantragem”, que levou Wilson Simonal ao sucesso. Na música, havia um solo de bateria muito difícil que só eu, Toninho Cury, e o magnífico e saudoso baterista Willian Bassitt, conseguíamos tocar. Primeiro, que é uma música de tom muito alto e apenas nosso crooner principal, Alceu Cecato e o outro crooner, Bebeto, do “Super Som Six”, que conseguiam cantar. Segundo, que era uma música de difícil harmonia e ritmo quebrado. Lembrando, que a “Super Som Six”, idealizada pelo empresário Carlos Massi era composta pelo baterista Willian Bassitt e outras feras como Renato e Mário Perez, Luiz Carlos Ribeiro, Vadeco, Sanica, Vartão, Tedeschi entre outros.


A diretoria do Sindicato, ao ver o desempenho da bateria na música, fez um pedido para que o Apocalipse participasse da escola de samba “Acadêmicos do Sindicato”. Mal sabia que éramos totalmente avessos a Carnavais de rua. Em decorrência do grande prestígio que sempre tivemos através do presidente Paulo Lucânia e do diretor social Roberto Antoniassi, aceitamos o convite e botamos a banda na rua.


Queriam que eu fizesse um solo diferente e para isso encomendaram ao mestre Boca a fabricação de um tamborim especial de três timbres diferentes. Mestre Boca, além de excelente percussionista, é também grande artesão de instrumentos de percussão. Fez, em três dias, um tamborim especial. Mesmo sendo limitado em “batuques” aceitei o convite como também aceitaram outros dois componentes da banda, Alceu e Álvaro Cecato.


A “Acadêmicos do Sindicato”, tinha como idealizador o jornalista Menezello que convidou o talentoso mestre “Tunda” para o comando.


O que marca em minha memória, são as grandes performances de Menezello e mestre Tunda. Quando do breque, era idêntico ao da escola de samba “Cacique de Ramos” do Rio de Janeiro.


Participaram também do desfile, vários componentes de escolas de São Paulo.
O ano era de 1972, tinha como principais escolas de samba, Grupo X, Gato Preto, Sambaderna, Sambacedro, Império do Palestra e blocos carnavalescos dos bairros Boa Vista, Maceno e Diniz.


Todos os anos, a Grupo X ganhava como melhor bateria. Nesse ano, foi a vez da Sambaderna, ficando em segundo lugar a “Acadêmicos do Sindicato”, e em terceiro lugar, a Grupo X. O resultado, gerou grande polêmica entre as escolas perdedoras.
A foto acima, foi feita momentos antes do desfile, na sede do Sindicato. De calça branca, o diretor social Roberto Antoniassi, eu ao centro e à direita o presidente do clube, Paulo Lucânia.


Bons tempos de grandes bailes e grandes desfiles carnavalescos onde a passarela do samba era a Rua Bernardino de Campos.

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“Without You”, de Nilsson. A mais tocada, a mais pedida

Postado por: Toninho Cury em 03/12/2012

 
A música internacional contemporânea teve um talento chamado Harry Nilsson.


Destaque no meio musical na Europa e na América do Norte, tornou-se popular nos demais cantos do planeta, somente no ano de 1969, por ter gravado a música “Everybody’s Talkin”, trilha sonora do filme “Perdidos na noite”, sucesso mundial de bilheteria daquele ano.


Em 1968, durante a inauguração da gravadora “Apple”, um repórter perguntou à John Lennon qual era seu cantor predileto. Teve como resposta, o cantor “Nilsson”. Em seguida, perguntou à Paul McCartney, "e seu conjunto preferido?". Teve a mesma resposta: “Nilsson”.


Não por menos. Nilsson compôs para grupos importantes que fizeram história no rock mundial, como: “Three Dog Night”, “The Monkees”, entre outras bandas e cantores famosos.


Nilsson, teve o privilégio em ter a participação de John Lennon tocando guitarra e Ringo Starr, bateria, durante a  gravação de seu disco “Pussy Cats”.


A música “Without You”, composição de Nilsson e inspiração deste texto, foi gravada, pela primeira vez, em 1970, pelo conjunto “Badfinger”, passando despercebida pelo público. Só veio ao sucesso, em 1972, quando Nilsson a gravou dando uma interpretação ímpar, ficando no topo das revistas de pesquisas musicais, “Billboard” e “Cashbox”, por um bom tempo. Daí em diante, sua consagração se fixou nos quatro cantos do planeta.


Simultaneamente, no Brasil, a música foi lançada através de um compacto simples. Naquele ano, nosso “Grupo Apocalipse” estava no auge. Apresentávamos em bailes de debutantes, formaturas, aberturas e encerramentos de eventos, programas e shows na "TV Rio Preto-Canal 8", etc.


Quando o disco chegou na cidade, o “Chico”, dono da loja “Indarama Discos”, na Rua General Glicério, levou a novidade à nossa sede para tirarmos e tocar nas apresentações.


Me lembro que ficamos em dúvida sobre quem a cantaria. O Alceu ou o Álvaro Cecato? Irmãos, tinham as vozes parecidas. Após algumas horas de ensaios, ficou decidido em deixar a responsabilidade com o Alceu Cecato, “crooner” principal da banda, ficando o Álvaro e o Marcos com os “backs”.


A semelhança da voz de Alceu com a de Nilsson era incrível e o conjunto se adaptou bem à harmonia e vozes (“backs”) da música. Em um só baile, tivemos de toca-la três vezes.


Um fato curioso era que o “Grupo Apocalipse” sempre renovava seu repertório e, “Without You” começou a ser tocada em 1972 e nunca mais saiu de nossas apresentações. No início de 1974, em um determinado baile, a tiramos do repertório substituindo-a por uma música mais nova. Era madrugada e o público não conformado com a não execução de “Without You”, pediu insistentemente através de bilhetes e gritos para que tocássemos. Assim o fizemos e os aplausos vieram em massa. Daí para frente, ficou cativa no repertório.
 
Harry Nilsson nasceu em 15/06/1941. Morreu do coração em 15/01/1994.


Para concluir essa passagem e relembrar “Withou You”, pesquisei no “Youtube”, 3 interpretações que estão nos endereços abaixo para os fãs da boa música curtirem e relembrarem épocas de ouro de grandes conjuntos musicais e bailes.
 
A primeira, original, na voz de Nilsson gravada em 1972;
 
http://www.youtube.com/watch?v=HfxCED3okpg
 
A segunda, na voz de Mariah Carey, durante um show ao vivo em 1996, em Tokyo, segundo pesquisas, a melhor interpretação de “Withou You”;
 
http://www.youtube.com/watch?v=H6oGuXenlNo
 
Finalizando, a terceira, com a banda “Badfinger”, original gravada em 1970 .


http://www.youtube.com/watch?v=wnb5JeK1hOo

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lafaiete - 05/12/2012
só ficaram as lembraças, vamos curtir.

The Brazilian Stones – Uma semente na história do rock católico de Rio Preto

Postado por: Toninho Cury em 06/11/2012

Falar do “The Brazilian Stones” é falar das raízes do “The Cats”,  do “Grupo Apocalipse”, e das bandas nas igrejas católicas de Rio Preto.


O  “The Brazilian Stones”  foi criado em 1968.


Selecionei de minha velha agenda musical, uma apresentação do conjunto em homenagem ao dia das mães.


No início de 1969, havia chegado à Basílica Menor de Nossa Senhora Aparecida, de Rio Preto, um frei de cabelos longos, cantor e violonista, chamado Jorge Patrezzi.


Até então, aquele belíssimo santuário, tinha por fama, ser freqüentado só por pessoas mais velhas e beatas. Isso afastava um pouco os jovens que, além de cumprirem seus deveres religiosos, também aproveitavam as missas para  paquerar e colocar em dia as conversas com amigos.


As igrejas mais freqüentadas pelos jovens eram a Catedral, a Redentora e a Nossa Senhora do Monte Serrat na vila Maceno.


Frei Jorge ao ver a pouca freqüência da juventude no templo, não pensou duas vezes, foi atrás da formação de um coral de jovens, mas com um detalhe: acompanhado por guitarra, baixo, bateria e teclados dos músicos do "The Brazilian Stones". Foi aí que a banda entrou para a história do “rock católico” de Rio Preto, como a primeira banda a tocar em missas locais.


Depois as igrejas da Redentora e da Vila Maceno copiaram a ideia de frei Jorge e adotaram o som de guitarras eletrônicas e bateria em suas missas.


Devido a aproximação com a Basílica, convites ao conjunto musical para apresentações em seu salão paroquial tornaram-se freqüentes. Como nas missas, as apresentações nas festas eram voluntárias, isto é, sem remuneração alguma.


Uma dessas apresentações foi no dia 11 de Maio de 1969, um Domingo, “dia das mães”, durante um show beneficente.


Na época, a banda tinha a seguinte formação: Laércio (guitarra solo), Luis Lúcio (guitarra base), Mário Bertani (contrabaixo) e Toninho Cury (bateria).


Ainda participou da apresentação, Carlos Eduardo (barbicha), o crooner do conjunto, que não está na foto acima.


Foram apresentadas cinco musicas: “Gerônimo” (trilha sonora de bangue bangue italiano), “Minha Menina” (Os Mutantes), “O Milionário” ( Os Incríveis), “Não demores mais” (Renato e seus Blue Caps)  e “Meu pranto a deslizar” (Ronnie Von).

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Grupo Apocalipse, o Sesquicentenário da Independência e a Ditadura Militar

Postado por: Toninho Cury em 05/09/2012

Rio Preto teve um empresário musical chamado Carlos Massi, irmão de Arlindo Massi, nosso “Papai Noel” símbolo de Rio Preto e um dos pioneiros do tênis na região.


No ano de 1972, ano do Sesquicentenário da Independência do Brasil, durante o governo militar, eram comuns grandes festejos cívicos nos quatro cantos do país.


Pois bem, data tão importante quanto a conquista de uma Copa do Mundo de Futebol.


Em Brasília, o governo militar pediu ao compositor Miguel Gustavo, uma música alusiva à data. Foi feito um hino ao Sesquicentenário da Independência. Para quem não sabe, Miguel Gustavo foi quem compôs o “hino” denominado “Pra frente Brasil”, marco da conquista da Copa do México de 1970.


Tudo o que acontecia em Brasília, em termos cívicos, era comum ser copiado pelo resto do país.


Carlos Massi, por sua vez, não deixou por menos: “Vou compor um hino”. Compôs “Isto é Brasil”. Letra e música de sua autoria e arranjos do maestro Mario Perez.


Certo dia, Carlos Massi foi até nosso estúdio de ensaio (grupo Apocalipse) e propôs ao conjunto que gravasse seu hino para ser apresentado no Estádio Mário Alves Mendonça, no dia 21 de Abril de 1972, às 18h30.


Havia nas rádios de todo o Brasil, uma “convocação” feita a pedido do governo ditatorial de Emílio Garrastazu Médice, gravada por Roberto Carlos, que iniciava com o "rei" cantando o "Hino Nacional" e posteriormente narrando a data e horário das atividades cívicas.


Na época, os militares exigiam a todos os estudantes, artistas e público em geral a participação em atos importantes que marcaram a história do país. E 7 de Setembro, sempre foi o ápice das festividades.


Gastava-se muito nesses eventos. Grandes desfiles, grandes fantasias e carros alegóricos.


O conjunto brasileiro campeão de vendas de discos, era “Os Incríveis”. Tal conjunto, em 1972, gravou o “Hino Nacional” brasileiro e no mesmo disco, o “Hino da Independência”.


Um dos principais cantores românticos da “Velha Guarda”, Miltinho, gravou o “Hino do Sesquicentenário” e foi um sucesso de vendas.


Teve também, através da Casa da Moeda do Brasil, o lançamento de duas moedas comemorativas à data. Uma de um cruzeiro incrustada em níquel e outra de vinte cruzeiros, em prata. Ambas com as silhuetas de Dom Pedro e o presidente Médice. Coisas da Ditadura.


Entre outros lançamentos, o Banco Real deu aos seus clientes, um belíssimo LP de vinil com vários hinos gravados por diversas bandas e orquestras militares.


No “vácuo” do que foi relatado acima e com sua habilidade ímpar, nosso saudoso empresário Carlos Massi, vai ao “Comind” – Banco do Commércio e Indústria de São Paulo S/A, em busca de patrocínio para gravação de seu hino.


Como tudo era censurado, o banco exigiu que consultasse um sensor que, por escrito, desse o aval para tal empreendimento. Carlos Massi vai até o “CR-2” de Rio Preto e conversa com o então coronel Daniel Milazzo. Foi dado o aval, com ressalvas.


Segundo Massi, o que estranhou em sua música à ótica da autoridade, foi o porque de só acrescentar alguns estados do Brasil na letra. Isso resultou apenas parte de sua execução no programa de rádio “Hora do Brasil”.


Isso não proibiu a sua execução na íntegra, na abertura do ato cívico de 21 de Abril, no Mário Alves Mendonça.


Após tudo acertado - letra, música e censura, o grupo Apocalipse foi até à gravadora “Toledo”, no 1º andar da Galeria Bassitt e gravou um compacto simples. Foram feitas poucas cópias e enviadas à Brasília e a poucos clientes vipes do Comind.


A imagem que acompanha este texto, é do folheto distribuído nos principais pontos de Rio Preto e no dia do grandioso desfile no Mário Alves Mendonça.


Fazemos um apelo: se algum internauta tiver uma cópia do “hino” de Carlos Massi, por favor entre em contato com este site para que possamos inseri-lo.

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'The Cats', o início

Postado por: Toninho Cury em 23/08/2012

O ano era 1969. As bandas de rock pululavam em Rio Preto.


Tocava no “The Brazilian Stones” formada por Mário (contrabaixo), Laércio (guitarra solo), Luis (guitarra base), Iran (vocal) e eu na bateria. Existia uma outra banda denominada “The Power’s”, da Vila Maceno, tendo como componentes, Alceu Cecato (contrabaixo), Edson Crepaldi (guitarra solo), Valdomiro Lopes (guitarra base) e Bega (bateria).


No final do ano compareceu em minha casa a então diretora do Colégio Santo André, Madre Marta, em companhia da educadora Olga Malouk da Silva. A ideia, era a fusão dos dois conjuntos para animar festas do sorvete e do guaraná, coisas da moda naqueles anos.


A proposta era boa, pois, o maior empecilho aos conjuntos era um local apropriado para ensaios. A Madre Marta deu a ideia em utilizar o anfiteatro do colégio como “estúdio” de ensaio e, em troca, o conjunto animava as festinhas.


Proposta feita, proposta aceita. Surgia daí, o conjunto “The Cats”.


No início, com o braço fraturado, Alceu Cecato foi substituído pelo contrabaixista Mário, tendo como demais componentes Valdomiro Lopes, Edson Crepaldi e eu na bateria.


Conseguimos uma escaleta, instrumento de sopro com teclado, já que o baixista Mário era exímio tecladista. Seu pai, senhor Bertani, na época vendedor de livros, havia sido professor do maestro Roberto Farath e passava sempre seus ensinamentos ao filho.


Depois de algum tempo, o Alceu recuperou-se da fratura do braço e retomou o contrabaixo da banda. Simultaneamente, a editora em que o senhor Bertani trabalhava, o transferiu para São Paulo e devido aos 14 anos de idade do filho Mário, não havia como deixa-lo sozinho em Rio Preto, então de sua saída da banda.


A foto acima, retirada de uma monóculo, é uma das primeiras apresentações do “The Cats” em uma festa beneficente na região de Rio Preto.


Algumas músicas que marcaram o repertório do início do “The Cats” foram: “Yellow River” (Christie), “Twist and Shout” (Beatles), “Have you ever seen the rain?” – “Proud Mary” (Creedence Clearwater Revival), “Sentado à beira do caminho” (Erasmo Carlos), “As curvas da estrada de Santos” (Roberto Carlos), “A irmã de meu melhor amigo” (Renato e seus blue caps), entre outras.


Assim, dou início a este espaço contando momentos interessantes vivenciados por mim na música e com músicos que fizeram história.

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jose carlos martins ferreira - 24/08/2012
Nós eramos felizes e não sabíamos.
Cesar Watanabe - 25/08/2012
Ola Toninho real/te é bom demais rever e relembrar momentos dos anos 60 que marcou historia. Tava reparando na batera , na época não havia pele hidraulica , então se colocava pano em cima das peles p/ nao ressonar . Valeu pela lembrança Abs . ,Alvinho
Guilherme Batista Silva - 06/09/2012
O que me impressiona em Toninho Cury é como ele se lembra e documenta fatos. Eu tive o privilégio de ter vivido e conhecido todas estas pessoas e muitos dos fatos aqui relatados. O Massi realmente era "diferente". Me recordo de um sábado a tarde que ele me convidou para ir com ele até a estação ferroviaria buscar uma jovem cantora baiana. Ninguem menos que a jovem e promissora Gal Costa. (coisas do Massi)

Recordando a "época de ouro" da música

Postado por: Toninho Cury em 13/03/2012

"Nos Bailes da Vida" é uma seção dedicada às recordações. Como músico, vivenciei de perto a "época de ouro" da MPB, sendo protagonista e coadjuvante em inúmeras histórias. Aos poucos, narrarei muitos acontecimentos que movimentaram as brincadeiras dançantes, bailes e shows de meados dos anos 60 até os dias atuais. Espero que todos aqueles que se identifiquem com as histórias e tenham algo a contar, participem desta seção para que façamos aqui um registro de uma parte importante e rica da vida cultural de Rio Preto e região naquela época. O show começa agora!

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Alceu Cecato - 25/08/2012
Caro Irmão Toninho. Parabens por mais essa iniciativa. Aqueles belos tempos sempre serão lembrados. Ajudamos a construir uma história maravilhosa. Abraços a toda família, especialmente à D. "Henriquets".