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A ARTE DA GASTRONOMIA E DA HOSPITALIDADE DA FAMÍLIA CONTE

Publicado segunda-feira, 9 de novembro de 2015

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A ARTE DA GASTRONOMIA E DA HOSPITALIDADE DA FAMÍLIA CONTE – FUNDADORES DA “CHURRASCARIA GAÚCHA” E OUTROS COMÉRCIOS TRADICIONAIS NO INTERIOR PAULISTA

 

Nos anos 1950, Rio Preto deu uma guinada na gastronomia e hotelaria, graças a valentia, visão e criatividade dos irmãos Vicente, Luiz e Antonio Conte.

Com experiência adquirida no comércio hoteleiro em Taquaritinga, SP, os irmãos Vicente e Luiz, sócios até então, mudaram para Rio Preto para tentar a sorte em uma cidade em desenvolvimento.

Na nova cidade, Luiz desfez a sociedade e sozinho, adquiriu o “Hotel Rio Preto”, em frente a “Estação da EFA”, onde está hoje, a “Estação Rodoviária”.

Vicente, fora da sociedade com Luiz, convidou seu outro irmão, Antonio Conte para sócio e fundaram dois restaurantes, a “Churrascaria Gaúcha” em Rio Preto e outra, em Ribeirão Preto, SP.

O negócio deu certo. Criaram um tempero especial em seu espeto de lombo de porco (patente dos Conte) , que ficou conhecido até em outros estados. Até hoje, considerado por muitos, como o melhor lombo do país.

Nos anos 1980, foi inaugurada uma segunda “Gaúcha” em Rio Preto. Ficava no alto da Rua Bernardino de Campos, no bairro Redentora.

Um fato interessante sobre a “Gaúcha”, é que no ano de 1959, um dos diretores da “Empresa Esso Brasileira de Petróleo”, ao almoçar na “Gaúcha”de Rio Preto, convidou o Antonio Conte para montar um restaurante no “Auto Posto Castelo”, na Rodovia Washington Luís, no município de São Carlos.

Antonio Conte aceitou o que para ele seria um “desafio”, já que a estrada era ruim e de terra, para isto, convidou o Sr. Hélio Bonfá para ser seu sócio afim de dividir responsabilidades.

O restaurante foi aberto e a receita dos churrascos e do lombo de porco, foi implantada por lá. A sociedade durou um ano e Antonio Conte vendeu sua parte ao Sr. José Fracacio.

Até hoje, o churrasco do “Restaurante Castelo”, está sendo servido com o mesmo padrão e qualidade das “Gaúcha”.

Já seu irmão Luiz, vendeu o “Hotel Rio Preto” e montou um outro, o “Hotel São Luiz”, à Rua Voluntários de São Paulo, quase esquina da Prudente de Moraes. É o hotel da foto postada neste espaço.

O hotel era pequeno, mas a hospitalidade de Luiz e sua esposa eram grandes. O negócio seguiu firme e forte. Com experiência na gastronomia, Luiz montou no próprio hotel um pequeno restaurante com comida caseira, mas com uma feijoada especial servida todos os sábados.

As mãos habilidosas dos Conte com as panelas, levou a feijoada, aos patamares do lombo de porco da “Gaúcha” de seus irmãos, uma especiaria “nota 10”. Aos sábados a fila era enorme para degustar o delicioso prato.

Os tempos se passaram e os Conte envelheceram. Luiz, vendeu seu hotel e os irmãos Antonio e Vicente passaram a “Gaúcha” aos filhos.

Hoje, existem duas “Gaúcha” em Rio Preto, que tem como donos, a família Afini, que mantém os mesmos padrões de qualidade de seus idealizadores.

Uma “Gaúcha” permanece no endereço tradicional, à Rua Prudente de Moraes e a segunda, na Avenida José Munia.

A “Gaúcha” de Ribeirão Preto, continua com a família Conte, o proprietário, é o Vicente Conte Filho, que vem mantendo a tradição e a qualidade de mais de 50 anos.

O Toninho Conte, filho de Antonio Conte, em meados dos anos 70, montou na Rua Bernardino de Campos, no centro de Rio Preto, o primeiro café de máquina italiana da cidade, o “Café Conte”.

Na época, uma “revolução” no sabor. Poucos conheciam a técnica e o gosto do café de máquina, mais conhecido por “café italiano”.

Mais um pioneirismo da família. Hoje, o café, está nas mãos do libanês Tarek Sarout, que continua mantendo o mesmo padrão de qualidade e gosto elaborado pelo Toninho Conte.

Mais um da família, o Antonio Francisco Conte, dono do “Augustus Plaza Hotel” de Rio Preto, se destaca na tradição de atendimento e hospitalidade em seu hotel.

A história ainda não terminou, a “J Conte Choperia”, localizada na Avenida Bady Bassitt, também em Rio Preto, é referência em pratos “à la carte”, além de ser um dos principais “points” da “jeunesse dorée”. É tocado, a todo vapor, pelo simpático José Luiz Conte Junior.

Alguns detalhes do comércio dos Conte:

Em suas “Gaúcha” e no “Restaurante São Luiz”, as frentes eram de ripas de madeira treliçadas na cor azul. Isto ajudava a ventilação interior dos estabelecimentos. Nas “Gaúcha”, a sobremesa, era apenas duas e sempre oferecida pelos garçons na seguinte ordem, "salada de frutas e sorvete". Certa vez, o colunista social Waldner Lui, colocou em sua coluna uma chamada em letras “garrafais”, que a “Gaúcha” havia modificado sua sobremesa. Mais abaixo em letras menores, escreveu, “sorvete e salada de frutas”. Apenas inverteu a ordem. A nota foi muito comentada por um bom tempo como, “coisas do Lui”.

A foto postada, é do “Hotel e Restaurante São Luiz”. Fiz em 1998, já modificado pelos proprietários posteriores. O restaurante ficava em um pequeno corredor, onde está o portão da garagem. As treliças ficavam exatamente no portão.

Recentemente todo prédio foi demolido.

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